Cinco motivos que mostram que a AI é fundamental para os médicos, mas não os substitui

Se antes a Inteligência Artificial na medicina era vista com certo temor, tanto pelos profissionais, que temiam ser substituídos por robôs, quanto pelos pacientes, que achavam estranho um computador decidir qual seria o seu tratamento, hoje a Inteligência Artificial (IA) é considerada o futuro da medicina e vem transformando o comportamento digital dos médicos. Mas vale ressaltar que a decisão final sobre qualquer tratamento sempre cabe ao médico, que usa os insights gerados pela IA como uma “segunda opinião”.

De uma tecnologia antes vista como um mistério, a IA evoluiu para se tornar o segundo par de olhos que nunca precisa dormir. A adoção de ferramentas de Inteligência Artificial em diagnósticos médicos e cuidados de saúde fornece aos médicos e instalações médicas um suporte confiável, ajudando a minimizar a pressão da carga de trabalho enquanto maximiza a eficiência do médico.

A IA ajuda na tomada de decisões médicas, gerenciamento, automação, administração e fluxos de trabalho. Ela pode ser usada para diagnosticar câncer, fazer a triagem de lesões críticas em imagens médicas, sinalizar anormalidades agudas, fornecer ajuda aos radiologistas na priorização de casos com risco de vida, diagnosticar arritmias cardíacas, prever desfechos de AVC e ajudar no manejo de doenças crônicas. A IA é uma área rica de dados, algoritmos, análises, deep learning, redes neurais e insights que está constantemente crescendo e se adaptando às necessidades do setor de saúde e seus pacientes.

Cada vez mais novos algoritmos são adicionados à Inteligência Artificial, cada um específico para uma determinada tarefa. Temos, por exemplo, um algoritmo para identificar o fígado e outro para encontrar as suas lesões. Durante uma tomografia do fígado, mesmo que apareça um nódulo no pâncreas, a IA não o irá identificar sem um algoritmo específico. Assim, para avaliar cada tipo de problema, seria necessária a integração de vários algoritmos, sendo que todos eles demandam mais e diferentes dados para serem treinados.

Ao final, a IA vai transformar o dia a dia do médico; algumas tarefas repetitivas desaparecerão, enquanto outras serão adicionadas à rotina de trabalho. No entanto, nunca haverá uma situação em que a personificação da automação, seja um robô ou um algoritmo, ocupará o lugar de um médico.

Sabe por quê?

1. Empatia não pode ser substituída

Mesmo que as tecnologias de saúde digital oferecessem soluções brilhantes, seria difícil para elas imitar a empatia. Por quê? Porque no cerne da relação humana está o processo de construção da confiança: ouvir a outra pessoa, prestar atenção às suas necessidades, expressar o sentimento de compreensão e responder de uma forma que a outra pessoa sabe que foi compreendida.

Sempre precisaremos de médicos segurando nossas mãos enquanto nos falam sobre um diagnóstico que pode mudar a nossa vida, nos guiar através da terapia e dar seu apoio. Um algoritmo não pode substituir isso.

2. Os médicos têm um método de trabalho não linear

Pode parecer um pouco de exagero, mas a série de TV “Dr House” mostrava muito bem como o fator humano e a criatividade são fundamentais. Em um episódio, a equipe não conseguia descobrir como um menino havia sido envenenado. Eles consideraram muitas opções: medicamentos, intoxicação alimentar, intoxicação por pesticidas de agricultura. Para cada diagnóstico possível, eles sugeriram uma opção de tratamento diferente. Cada uma delas piorava o paciente – até que descobriram, sem querer, que a intoxicação havia sido causada por um tipo de inseticida impregnado na sua calça jeans, e a contaminação havia se dado durante o transporte dos dois produtos no mesmo caminhão. Como o menino não havia lavado a peça de roupa antes de vesti-la; sua pele absorveu o veneno.

Nenhum algoritmo poderia ter feito tal diagnóstico. Dados, medições e análises quantitativas são uma parte fundamental do trabalho de um médico. Será ainda mais crítico no futuro. Estabelecer um diagnóstico e tratar um paciente não são processos lineares. Requer criatividade e habilidades de resolução de problemas que algoritmos e robôs não possuem de forma ampla e irrestrita, como os humanos.

3. Tecnologias digitais complexas exigem profissionais competentes

Soluções de saúde digital cada vez mais sofisticadas exigirão a competência de profissionais médicos qualificados. O cérebro humano é tão complexo e capaz de supervisionar uma escala tão vasta de conhecimento e dados que simplesmente não vale a pena desenvolver uma IA que assuma este trabalho – o cérebro humano o faz muito bem. Vale mais a pena programar essas tarefas repetitivas e baseadas em dados e deixar a análise / decisão complexa para o médico. Não quer dizer que seja impossível, mas não vale o trabalho.

Nenhum robô ou algoritmo poderia interpretar desafios complexos em várias camadas – envolvendo a psique. Embora eles forneçam os dados, a interpretação sempre permanecerá um território humano.

4. Sempre haverá tarefas que os robôs nunca poderão concluir

Médicos, enfermeiras e outros membros da equipe médica têm muitas tarefas monótonas e repetitivas complicadas para realizar todos os dias. Um estudo diz que, nos Estados Unidos, o médico gasta em média 8,7 horas por semana com a administração. Os psiquiatras gastam a maior proporção de suas horas de trabalho com papelada (20,3%), seguidos por internistas (17,3%) e médicos de família / generalistas (17,3%). Esses tipos de tarefas e procedimentos podem ser automatizados – e devem ser.

No entanto, existem responsabilidades e deveres que as tecnologias não podem realizar. Embora uma IA possa vasculhar milhões de páginas de documentos em segundos, ela não é capaz de olhar nos olhos do paciente e em uma fração de segundos escolher a forma mais adequada de transmitir uma notícia ruim. Sempre haverá tarefas em que os humanos serão mais rápidos e mais confiáveis do que a tecnologia.

5. Nunca foi tecnologia vs humanos

A construção consistente e constante da imagem do inimigo deve parar de uma vez por todas. Nunca houve tecnologia versus humanos, já que as inovações tecnológicas sempre servem ao propósito de ajudar as pessoas. A colaboração entre humanos e tecnologia em saúde é a resposta definitiva.

Imagine do que a área de saúde poderia ser capaz se a criatividade e as habilidades de resolução de problemas dos humanos fossem combinadas com o poder de computação infinito e o recurso cognitivo da tecnologia. Esta opção já está aqui. Nós apenas precisamos adotá-la.