Insights da digitalização no setor de saúde

O desenvolvimento do uso da tecnologia em saúde vem avançando rapidamente – antes eram só equipamentos, então chegaram os serviços e agora temos soluções inovadoras. Segundo a consultoria Frost & Sullivan, nas últimas décadas o foco da inovação estava no desenvolvimento de equipamentos médicos para cuidados baseados no histórico do paciente.

Já atualmente o foco está nas plataformas médicas que entregam dados em tempo real, baseados em resultados. E o que estamos assistindo agora é a jornada rumo às soluções médicas – utilizando Inteligência Artificial (IA), Machine Learning, robótica – para entregar soluções inteligentes que vão unir histórico e resultados e focar no cuidado preventivo e colaborativo.

A explosão dos dados

Na última década, o setor médico vem acumulando mais e mais dados. Só na área de dermatologia, por exemplo, são publicados cerca de 11 mil novos estudos todo ano. Em 2013, o volume estimado de dados de saúde chegou a 4 zetabytes – o que corresponde a 4 trilhões de gigabytes (1021) – e projeções indicavam que esse volume iria crescer 10 vezes ou mais até 2020, chegando a proporções de yotabytes (1024).

Além disso, cerca de 80% desse volume é composto por dados não estruturados, o que dificulta muito a sua análise pelo ser humano. Nesse cenário entra em cena a Inteligência Artificial na medicina, realizando tarefas com mais eficiência, rapidez e com um custo mais reduzido.

A IA usa algoritmos e Machine Learning para analisar e interpretar dados, entregar experiências personalizadas e automatizar operações de saúde repetitivas e caras. Essas funções têm o potencial de agilizar o trabalho do pessoal operacional e clínico na tomada de decisões, reduzir o tempo gasto em tarefas administrativas e permitir que os humanos se concentrem em um gerenciamento e trabalho clínico mais desafiadores, interessantes e impactantes.

Adoção de IA na área de saúde: o caminho à frente

Embora as evidências dos benefícios potenciais das aplicações de IA na área de saúde sejam cada vez mais evidentes, uma série de desafios para a ampla adoção e implementação dessas ferramentas permanecem. As instituições de saúde precisam confiar em algoritmos para usá-los, e isso geralmente significa que eles desejam ver a validação clínica disso. Muitos continuarão céticos sobre a adoção de ferramentas de IA até que um grande corpo de provas verifique seus resultados.

Também há uma certa relutância do lado do paciente: pesquisa da consultoria Accenture indicou que cerca de um quarto dos pacientes que disseram que não usariam serviços de saúde com tecnologia de IA citaram preocupações sobre a tecnologia, desde não entender o suficiente sobre como a IA funciona até se preocupar como será feita a avaliação médica.

Inovadoras aplicações rompem barreiras

Tradicionalmente, os profissionais médicos são conhecidos pela sua aversão a adotar ferramentas que, supostamente, podem interferir no seu ofício. Tomemos por exemplo o estetoscópio, hoje um equipamento inseparável do médico. Quando uma versão do dispositivo foi introduzida no século 19 pelo médico francês René Laennec, seus contemporâneos duvidaram que ele se tornasse o uso comum. Agora sabemos o quanto eles estavam errados. Mas se passaram várias décadas desde a introdução de um estetoscópio por Laennec até a sua ampla adoção.

Segundo Cezar Taurion, VP de Estratégia e Inovação da Cia Técnica, em artigo publicado na revista Magazine Intelligent Automation, o uso da Inteligência Artificial na medicina e a sua aplicação, de forma adequada, vai tornar a medicina mais humanizada. “A aplicação adequada

da IA é a oportunidade de restaurar uma das coisas mais valiosas da medicina, que é a conexão humana e a empatia na relação médico-paciente.

“Creio que devemos usar com mais intensidade a IA para as coisas que realmente importam, como a nossa saúde. A medicina caminha na direção de ser personalizada, focada na saúde e não na doença, com interação contínua e não esporádica entre médicos e pacientes, uma relação empática e humana”.

E lembram do descrédito inicial com que o estetoscópio foi recebido? Para Taurion, a Inteligência Artificial na medicina seguirá um caminho semelhante e pode até ser denominada como o estetoscópio do século 21. “A Inteligência Artificial pode e provavelmente vai se tornar o novo estetoscópio. Fará parte do dia a dia da medicina”, diz o especialista.